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Graças à um simples ato de honestidade da auxiliar de limpeza Regina Ferreira da Silva Lourenço, um casamento de cinco décadas foi salvo.

Regina trabalha em um supermercado em Marília (SP) e certo dia, durante seu expediente, encontrou uma aliança perdida enquanto limpava o chão.

A joia ficou em sua posse por três meses, uma vez que ela dispunha de poucas informações para encontrar seu real dono. Forjado no anel, havia o nome da esposa e uma data: 7 de setembro de 1963.

“Na hora que eu passei o vassourão eu senti um barulho olhei e não acreditei: uma aliança”, relembra.

Grato pela “sorte” de Regina ficou o sr. Vicente Lazarini, aposentado de 81 anos.


“Fui fazer as compras no mercado e quando cheguei em casa descarreguei as sacolas e falei pra ‘Preta’: ‘perdi a aliança no mercado’. Voltei lá, fui no caixa e não acharam. Três dias depois voltei lá, perguntei e nada. A gente ficou muito chateado. Fiquei vários dias não acreditando que tinha perdido.”

Com a perda da aliança, a confiança que o casal estabeleceu ao longo das décadas sofreu um certo ‘abalo’.

“Eu fiquei bem chateada, fiquei brava com ele. Porque se ele viu que estava larga porque não tirou? Ele falou que ia mandar fazer outra, mas não ia ser a mesma coisa”, afirma a esposa Dionéas Dias Lazarini, de 73 anos.

Busca pelo dono

Um primo de Regina teve a ideia de encontrar o casal por meio do nome de Dionéas, que estava forjado na aliança. Ele orientou a auxiliar a ir até o cartório de registro civil da cidade para encontrar o dono da aliança.

“Ela veio procurando ajuda, tinha em mãos uma aliança muito valiosa aparentemente e ela sabia que precisava devolver para o dono. Além de ter um valor financeiro é um valor sentimental por ser uma aliança datada de 1963. Eu colhi informações possíveis pra poder achar o paradeiro da família”, conta Jaqueline Catarina Martins, auxiliar do cartório.

Com a ajuda de Jaqueline, Regina procurou por documentos e registros que apontassem o paradeiro de Dionéas. “Eu fiquei muito contente, foi muito legal porque a partir daí eu consegui extrair mais informações e consegui localizar a família”.

Conseguindo encontrar a família, ela estabeleceu contato e combinou um local para entregar a aliança do sr. Vicente: a igreja onde o casal reza toda semana. O reencontro do casal com a aliança perdida foi uma emoção à parte, e todos aqueles que estavam por ali se emocionaram junto.


“Lembrei o dia do casamento. Ela sempre ficou no dedo, toda vida. Foi uma coisa inesperada. São poucas pessoas que devolvem. Mas sempre tem uma pessoa boa nesse mundo. Tem mais gente boa do que ruim, muito mais”, afirma Vicente.

Apesar de já terem comemorado as bodas de ouro (festividade dos 50 anos de casados), Dionéas e Vicente vão comemorar de novo por terem reavido a aliança.

“Muita emoção, é uma aliança de recordação. Essa aliança é das bodas de ouro, mas aqui dentro tem nossa aliança de quando nós casamos. Nossa recordação continua junto”, explica a idosa.

No encontro dos três houve muito mais do que apenas a devolução da aliança, mas o estabelecimento de uma relação pautada na confiança: uma amizade nascida do sentimento de gratidão e que será levada para a vida. “Eu fiquei muito feliz porque ficou a sensação de gratidão, de amor”, comemora Regina.